artigo semana de humanidades

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  INTERNET E MOBILIZAÇÃO POLÍTICA NO CASO DA REVOLUÇÃO NOEGITO: UM ENSAIO SOBRE A INFLUÊNCIA DA COMUNICAÇÃO Caroline Brito dos Reis 1  Criselides Maria Ferreira Lima 2   RESUMO  Este trabalho tem o objetivo de analisar a importância da Internet para a organização demobilizações políticas, a exemplo da recente revolta que abateu o Egito e resultou narenúncia do então presidente Hosni Mubarak. Com os recentes acontecimentos, adiscussão sobre a importância política das redes telemáticas foi retomada. As perguntasfundamentais são: Até que ponto as discussões empreendidas nas redes digitais foramcapazes de culminar na revolta em tela? Sem a Internet, a mobilização ocorrida no paísárabe teria alcançado os mesmos resultados? Alguns autores consideram o ciberespaçoum elemento eficaz para forçar o aperfeiçoamento das democracias, uma vez que os mecanismos de comunicação digital (principalmente as chamadas “redes sociais”, como o Twitter e o Facebook) têm a capacidade de, por exemplo, facilitar a troca dein formações entre os manifestantes; recursos diversos como o site de vídeos “Youtube” oferecem a oportunidade de divulgar junto à comunidade internacional a truculência degovernos autoritários. Por outro lado, há teóricos menos otimistas e que insistem emressaltar a relevância de fatores como a importância da cultura política (ou seja, mostra-se necessário que, além do uso das redes digitais, os cidadãos saiam às ruas e pressionem seus representantes) ou as facilidades que os new media oferecem para queos governos monitorem (e persigam) os dissidentes. Nesse sentido, o ensaio visaelaborar um breve relato dos aspectos que diferenciam a internet de outras plataformasde comunicação, lançando mão, para isso, do inventário de ferramentas e da discussãodas vantagens e das limitações inerentes à rede. A observação de casos ilustrativos e arevisão de literatura indicam ser plausível defender que, não obstante determinadaslimitações, a internet tem características únicas a potencializarem o poder demobilização da esfera civil, mesmo em situações nas quais o governo se esforça emcontrolar o acesso aos media digitais quando se vê ameaçado. Palavras-chave : internet, revolta, redes sociais, política. 1 Estudante de comunicação social, habilitação jornalismo, da Universidade Federal do Ceará. 2 Estudante de comunicação social, habilitação jornalismo, da Universidade Federal do Ceará.  1.   Introdução A internet tem a capacidade de alterar as ferramentas políticas vigentes naestrutura política, oferecendo meios mais eficazes de participação da população na política? A rede tem uma estrutura colaborativa que permite às pessoas expressar a suaopinião sobre determinado tema por meio de enquetes, de questionamentos através deemails e da participação em redes sociais e em blogs. Mas será que só o oferecimento deferramentas colaborativas incentiva realmente a participação da população na política?Através de uma análise da série de protestos políticos que ocorreu no Egito a fimde criticar o governo autoritário do presidente Hosni Mubarak (que ficou no poder por mais de 30 anos através de eleições consideradas fraudulentas) e que culminou com asua deposição, este trabalho pretende observar os aspectos positivos que diferenciam ainternet dos demais meios de comunicação, os mass media , e que possibilitaram aarticulação dessa manifestação no país árabe. E também fará uma análise dos pontosnegativos, através de uma perspectiva dos estudiosos que negam o papel da rede comofundamental na estrutura política da sociedade.A rede, definida como um espaço virtual de aproximação e campo fértil paraexpressões diversas de culturas que antes estavam restritas a pequenas aldeias(BORGES, 2009, p.3), possibilita outra relação entre as pessoas e a esfera política.Primeiramente, porque a esfera pública online dispensa, ou minimiza, o uso de filtros,muito utilizados pelos meios de comunicação tradicionais, fomentando o diálogo, ereduzindo as limitações de espaço e tempo também existentes nos mass media .Por essa razão Marques (2007, p.257) afirma que a emergência dessa plataformade comunicação, com capacidade de atuar sob uma lógica diferente daquela dos massmedia tradicionais, revigora as esperanças no que concerne ao emprego dos media paraaperfeiçoar a participação dos cidadãos.  No entanto, esse “livre fluxo de informações” destacado por Gomes (2007, p.16) é controverso, visto que alguns autores, a exemplo de Douglas Rushkoff, colunista darede CNN, defendem que a rede é controlada pelo governo. Ele exemplifica, citando ocaso do bloqueio do site wikileaks nos Estados Unidos. Para ele, mesmo nos paísestradicionalmente democráticos, como é o caso dos Estados Unidos, a rede estáfortemente atrelada ao controle governamental.    2.   Internet e a promoção da participação Desde o início, quando surgiu em plena guerra fria com o objetivo de manter ascomunicações entre as forças armadas, a internet cumpre o papel de facilitar a interaçãoentre as pessoas, através de ferramentas como o email, as salas de bate-papo e maisrecentemente, das redes sociais. Com o surgimento da chamada web 2.0 e com oaumento da utilização dessas redes sociais, a comunicação entre as pessoas aumentouvisto que os sites da rede criaram um ambiente mais propício aos comentários e àinteração entre os usuários. No entanto, será que esses mecanismos feitos para incentivar a participação sãosuficientes para motivar a participação política das pessoas? E será que os mecanismosde participação oferecidos pela internet geram envolvimento político? Como afirmaMarques (2009, p.228), é necessário que a esfera civil seja devidamente instruída e quese sinta confiante e motivada a empregar os canais oferecidos pela rede. Logo, não setrata apenas de oferecer os mecanismos que promovam a participação, mas também degerar interesse da população pelos entes políticos. Deve-se acrescentar ainda que essa participação está diretamente ligada aos níveis educacionais das pessoas.Evidenciaremos a seguir alguns aspectos que contribuem para que a internet sejavista como um meio capaz de fomentar o diálogo e a transparência dos entes políticos.Para Gomes (2007, p.14), os novos meios de comunicação têm o potencial inegável deremover os obstáculos de tempo e espaço para a participação política. A quantidade, emais importante a qualidade, das informações políticas presentes na rede são outro ponto positivo acerca da internet. 2.1 Disponibilidade de informações diversas Um ponto a ser levado em consideração em defesa da internet é adisponibilidade de um vasto conteúdo nos sites, redes sociais e portais da rede. É umfato inegável que a rede oferece informações nas mais variadas maneiras, através detextos, vídeos, fotografias e áudios. Claro que nem todo o conteúdo disponível temqualidade reconhecida, informações verdadeiras ou fontes confiáveis. Entretanto, em  sites de agências de notícias, jornais e revistas com credibilidade as pessoas podem ter acesso rápido e gratuito (em geral) a um grande volume de conteúdos.Portanto, a internet oferece uma diversidade de informações que possibilita queas pessoas fiscalizem o poder público e garantam o exercício da sua cidadania,excepcionalmente nos países com regimes democráticos. Se as pessoas se apropriam ounão dessas ferramentas, é outra questão que este trabalho não tem a ambição de discutir a fundo. No Egito, informações que questionavam o governo autoritário de Mubarak jáeram postadas bem antes da revolta. Um exemplo desse conteúdo é o vídeo no youtubeque mostrou o jovem Khaled Said sendo violentamente assassinado pela polícia do paísna frente de um prédio. O vídeo do jovem, que foi morto por ter supostamente posse de provas de corrupção cometidas por policiais, foi visto por mais de 26 mil usuários darede social e é símbolo desse diálogo contestatório que precedeu a revolta no Egito.Além disso, através da internet os manifestantes egípcios puderam ter uma idéia darepercussão da revolta no mundo. A internet também permitiu que os egípcios tivessemcontato com outros aspectos políticos de países diferentes que podem ter influenciado arevolta. 2.2 Rapidez de veiculação de informações Outro fator a ser considerado é a rapidez com que as informações sãotransmitidas através dos celulares, computadores e demais aparelhos ligados à internet.A rede possibilita a veiculação rápida de informações através de suas redes sociais. Nocaso egípcio, essa agilidade na troca de informações foi essencial para a divulgação aomundo da repressão feita pelo então presidente Mubarak aos manifestantes queocuparam as praças da capital egípcia e possibilitou que os manifestantes pudessem secomunicar com mais eficiência. Além disso, as redes sociais foram o palco de umdebate que questionava o governo de Mubarak antes mesmo do desenlace da revolta noEgito.A importância da internet pode ser notada se observarmos que o presidenteegípcio chegou a ordenar o cancelamento no acesso às redes sociais twitter e facebook.Foram cinco dias com dificuldades no acesso à rede. Apesar da proibição muitos  usuários conseguiram conectar-se por meio de seus endereços de IP e atualizar notíciassobre a situação do país, observando a repercussão do caso nos principais jornaismundiais. 2.3 Interatividade  Além disso, a internet tende a promover interatividade entre esfera civil eagentes políticos, possibilitando um diálogo horizontal entre ambos. É evidente, noentanto, que isso só tende a ser verdade em países com instituições democráticas maisfortalecidas. Como afirma Raquel Gibson (2001, p.563): Se o requisito para melhorar a vida democrática é a injeção de maisdeliberação de massa, então, certamente, este novo meio com as suasoportunidades de debate em mão dupla ou multidirecionais oferece uma solução potencial. Logo, pode-se observar que a rede propicia um esquema de comunicaçãomultilateral em que os fluxos de informação não advêm somente dos fluxos de poder.Essa é indubitavelmente uma das principais inovações da rede. Pode-se questionar se jánão havia outros modos de interagir com os agentes políticos. E a resposta é positiva,visto que as cartas ao leitor dos jornais impressos são nítidas formas de interação.Contudo, as ferramentas da internet facilitam a interação entre os agentes políticos e a população visto que proporcionam um diálogo mais rápido entre a sociedade e os entes políticos, através de recursos como o email e a própria parte destinada a comentáriosexistente nos sites. 2.4   Participação das minorias A oportunidade de criar um espaço de diálogo para os que até então estavamalheios aos meandros do cenário político é outro aspecto positivo da rede, visto que elaoferece espaços de discussão para essas pessoas. Como esclarece Gomes (2007, p.19),grupos que não detêm a chance de se fazer presentes na esfera de visibilidade pública predominante, encontram na internet a oportunidade de dar o seu recado, ou seja, deapresentar as suas ideias e discutir com os outros. Essa participação não substitui a
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