Revista Noize #84 - Gilberto Gil - Janeiro 2019

52 pages
3 views
of 52
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
Share
Description
Como um vírus benigno, a antropofagia de Oswald de Andrade, reformulada pelas lentes da Tropicália, se entranhou nas#84 // ANO 12expedientecélulas da música…
Transcript
Como um vírus benigno, a antropofagia de Oswald de Andrade, reformulada pelas lentes da Tropicália, se entranhou nas#84 // ANO 12expedientecélulas da música brasileira e obrigou-a!"#$%&'"()!#'*+,"!"#$%&5)$$a se redefinir. A explosão tropicalistaDireção Leandro Pinheiro Pablo Rocha Rafael RochaEditores Gustavo Brigatti Joana Barboza Leonardo Baldessarellinos lembrou de que o Brasil se deliciaGerente Financeiro Pedro ParesCoordenação de Projetos Brenda Beloni Caio Pereira Diego Paz Jordana Monteiro Thais MartinsGerente de Planejamento Cássio Konzen Diretor de Criação Rafael Rocha RH Taisla Heres Coordenação de Arte Jaciel Kaule Diretores de Arte Árthur Teixeira Guilherme Borges Patricia Heuser Diretora de Arte Jr. Jade Teixeira Assistentes de Arte Guilherme Ferreira Maicon Pereira Produção Dani de Mendonça Malena Thailana Coordenação de Vídeo Lucas Tergolina Vídeo Diego Machado Humberto Ferreira Pedro Krum Shandler Franco Thaíse Silva Foto Mell Helade Novos Negócios Leandro F. Gonçalves!"#$%&-%'"-.&'/)0 -%1#23*&4&2#3%com as influências de todos cantos e que nossa potência maior vem ao mastigar, deglutir e digerir esse banquete.Gil já falava sobre isso com Caetano, Bethânia, Gal, Tom Zé e tantos outros,Atendimento Interno Ingrid Mônacomas depois de mergulhar no folclore de Pernambuco, em 1967, se sentiu noRedação Camila F Oliveira Fernanda Zandavalli Guilherme Flores Rodrigo Laux Tássia Costa Vinícius Rochadever de dar um passo além. Por isso, a primeira metade da revista, seu lado A, homenageia o Nordeste em sua exuberância e aridez.Planejamento Eduardo Mello Gabriela Etchart Julia Brito Juliano Mosena Luan Pires Mickael Prass Taína Cíceri Thiarles WäctherJá o lado B encontra os ângulos retos das grandes metrópoles. Caetano Veloso, Sérgio Dias, o produtor Manoel Barenbein e um grupo de jovensMídia Ágatha Doniniartistas influenciados por Duprat nos ajudam a entender as relações que osCommunity Manager Ana Paula Pause Laís Soares Maurício Teixeira Vanessa Castrotropicalistas tiveram com a mídia, a Ditadura Militar e a música estrangeira.6-#3"Conectando Caruaru e Liverpool, aGerente de Planejamento Marcel MaineriTropicália foi um evento histórico,Coordenação de Projetos Carolina Fariasbrasileira seguinte. Para nós, é umadecisivo para toda produção artísticahonra publicar essa edição. ComemorandoAssistente de Projetos Gabriel Dias Helena de Oliveira50 anos do álbum, Gilberto Gil (1968) é o 20º disco de vinil que lançamos noCoordenação de Projeto Karen RodriguezPlanejamento Matheus Barbosa Matheus GugelmimNOIZE Record Club. Nossos profundosEditor Ariel FagundesEstagiário Planejamento Rafael KronitzkyArtísticas, que gentilmente abraçouDiretor de Arte Árthur TeixeiraRedação Camila Benvegnú Jéssica Teles Pedro VelosoRepórter Brenda Vidalagradecimentos à Gege Produçõesessa parceria.Ariel Fagundes!"#$%&0""23 Community Manager Hayane Leotteboost@boost.mn boost.mn4A!"#$%"&$'"&() !"#$%"&$'"&() !"#$%"&$'"&() !"#$%"&$'"&() !"#$%"&$'"&() !"#$%"&$'"&()noize.com.brJoão Batista MeloCordelista sergipano com 80 anos, mais de 100 folhetos publicados e membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel.Bem GilRodrigo LauxMúsico, produtor e filho deJornalista, músico e nenhumGilberto Gil. Divide aqui ados dois. Crê que o ser hu-lista dos álbuns básicosmano é superestimado, maspara entender a Tropicália.é quem cria os melhores grooves.Caetano VelosoCamila F OliveiraDispensa apresentações.Procurando sentidos praAqui, dá o depoimento quevirar do avesso. No resto doacompanha as fotos datempo, usa jornalismo praseção Páginas Negras.ouvir (e contar) histórias.Brenda VidalLeonardo BaldessarelliQuase jornalista vivendo umPublicitário por prazer, jor-ritmo que só a música podenalista por vaidade. Acimaacompanhar. Apaixonada porde tudo, maluco por qual-cultura, arte e negritude.quer tipo de música.5AT E XTO X I LO G RAV U RAS João Bat ista MeloWil l Cavanoize.com.br!"#$%$&'()*" +#*,-.'&-/+'" 0$"1-&2$#+*"1-&" 3*"/$#+)*" Em fevereiro de 1967, Gil fez uma longa viagem para Pernambuco. Lá, mergulhou no folclore e enxergou uma conexão entre a cultura popular nordestina e a psicodelia estrangeira, o cinema de Glauber Rocha, o teatro de Zé Celso Martinez, a arte visual de Hélio Oiticica. Essa viagem plantou a semente que germinou a Tropicália em Gil. Aqui, convidamos o mestre da literatura de cordel, João Batista Melo, para versar essa história.13Anoize.com.br15A16Anoize.com.br17A!"#$%&'()"*+),&-$'&.%$ !"-$/&0()"123"'34)2" #&'53+%)"#&'"6"*+),&-78 '&$"09)":)+/$"2/$"'&8 0($"+3%$;"<'3",$..$" ,3'$".$0:)0$"=3"#)08 >$?$@"-$&"0)"4&)'9)"=$" 5)..$@"=)5+$"0$"'&.3+8 ?&$"=)."A3$%'3.@".)53" $)".3+%9)"0)+=3.%&0)@" =3.-3"$)"-&03/$"=3""""""""""T E XTO F OTO S Ariel FagundesRafael Rocha e Acervo Inst ituto Gil berto Gi lnoize.com.br4$0?2$+=$"32+),32@" -+2>$"-)/")"%3$%+)"+$8 =&-$'"=3"A)$'@"30%+$"0$" $+%3"4&.2$'"=3"!&%&-&8 -$@".$&"'7"0)."+2B=)." =3"C)(0"D$?3"3@"()E3@" -(3?$"$)."'&4+)."=3" (&.%F+&$"3"6.",+)4$."=3" 43.%&52'$+;"G"=3"-2+4$." 123"H":3&%)")"-$/&0();Do interior para o mundo Em 1942, Claudina Passos Gil Moreira era professora e seu marido, José Gil Moreira, médico. O casal morava em Ituaçu, a 470 km de Salvador, e foi apenas por causa do nascimento do filho Gilberto Passos Gil Moreira que eles foram para a capital naquele dia 26 de junho. Apenas 20 dias após nascer, Gilberto voltou com os pais para Ituaçu, onde passaria os próximos nove anos. Hoje, a população de lá não chega a 19 mil habitantes e, quando Gil era criança, era muito menor. Sendo assim, sua infância foi marcada por vivências típicas interioranas. A alfabetização foi em casa, ministrada por sua avó Lídia, as festas de São João eram o maior acontecimento já visto e os passeios no mato eram rotina.Em 51, ele e sua irmã Gildina foram morar em Salvador com a tia paterna Margarida. No ano seguinte, Gil foi cursar o Ginasial no Colégio Nossa Senhora da Vitória, uma instituição marista que existe até hoje, e, na mesma época, começou a tocar acordeom. Primeiro, teve aulas particulares, mas logo ingressou na Academia de Acordeom Regina - experiência basilar que seria citadaministração de Empresas, passou e começou a estudar na Universidade da Bahia, onde ficaria até 64. Através da vida universitária, teve acesso a um novo universo de pessoas, ideias e sentimentos que incendiaram seus processos criativos: - Em seguida a esse primeiro período de aprendizado do violão eu conheço o Caetano. Nós frequentamos as programações da Escola de Música da Universidade da Bahia, e numa dessas noites na universidade tomei contato com a chamada música experimental, que eu ainda não conhecia - conta Gil em entrevista publicada no seu site oficial. Assistir ao concerto do pianista David Tudor executando peças de compositores de vanguarda como John Cage, Karlheinz Stockhausen e Pierre Boulez expandiu sua visão musical para sempre: “Tomei contato com a música que não era música”, explica, “que incluía o ruído, o barulho, o silêncio muito profundamente”. “A música não-música, a anti-música ou transmúsica, entrou na minha vida”, diz.I#&'",+),J."123":&>H..3/)."$'?)"/$&."4&)'30%)@"/$&.",3+%)"=)"+)-K@"123" 2.7..3/)."?2&%$++$."3'H%+&-$.;"L"%2+/$"09)"30%30=&$;"M$+%&/).".)>&0()."0$" $430%2+$"=3"0)..$"43+.9)"=$"-)0%+$-2'%2+$N"!"#$"%&'(#)&*& em 68 no texto da contracapa do seu segundo LP, relançado agora em vinil pelo NOIZE Record Club. No fim da década de 50, ele concluiu o curso de acordeonista e criou seu primeiro projeto musical, um grupo chamado Os Desafinados, em que tocava acordeom. Luiz Gonzaga era seu ídolo e as músicas populares do Nordeste ocupavam boa parte do seu repertório, mas logo seus ouvidos seriam atraídos por novas estéticas. Em 59, saiu o disco de estreia de João Gilberto e a chegada da bossa nova impactou demais o jovem Gil. Por sua influência, descobriu o gosto pelo violão e aprendeu o instrumento sozinho. Paralelo a isso, Gil escreveu seus primeiros poemas, a maioria feita sob forte influência de poetas como Castro Alves, Gonçalves Dias e Olavo Bilac, autores que lia muito. Um dos textos desse período, “Triste Serenata”, até foi musicado, mas nunca foi gravado. Em 60, chegou a hora de Gil prestar o vestibular. A primeira escolha foi Engenharia, mas não foi aprovado. No ano seguinte, fez a prova de novo, dessa vez para Ad-Gil conta ainda que havia um anseio de sua geração por expressões que buscassem referenciais de modernidade a partir das quebras dos padrões convencionais. “O cinema começava a ter um papel importantíssimo com autores brasileiros como Glauber e tantos outros como Godard, Antonioni, Visconti”, afirma Gil em entrevista à NOIZE. Além do cinema vanguardista, lhe interessava muito as inovações nos campos da poesia, das artes visuais, do teatro... “Era uma mistura danada de todas essas coisas que acabavam sendo processadas de vários modos por mim e por outros colegas”, diz Gil. Os anos 60 estavam em ebulição e, logo, ele se veria no olho de um furacão. O estúdio é um lar A faculdade de Administração foi cursada ao mesmo tempo em que a música ia ocupando cada vez mais sua vida. Em 62, Gil escreveu as primeiras composições. No mesmo ano, conheceu um músico e apresentador de rádio e TV chamado Jorge Santos. Ele também era dono de uma agência de publicidade, que, por sua vez,22Anoize.com.brse transformou em uma produtora com um pequeno estúdio para gravar jingles.a 64, Gil manteve-se trabalhando como fiscal do imposto aduaneiro.Conforme revela Marcelo Fróes, do selo Discobertas, em texto publicado no encarte da Caixa Palco (2002), um dia, prestes a gravar um jingle, um dos membros do conjunto Os Irapuãs não apareceu e, então, um músico da banda sugeriu que Jorge chamasse Beto (apelido de Gil na época) para substituí-lo. No estúdio, não houve dificuldades para gravar o jingle, mas foi depois disso que a mágica aconteceu: Gil pegou seu acordeom e tocou “Bem Devagar”, uma de suas primeiras músicas. Ver aquilo impressionou muito Jorge e lhe deu a certeza de que deveria chamar Gil de novo.Essas faixas gravadas no JS Discos eram relativamente desconhecidas do grande público até 2002, quando foram lançadas em CD na Caixa Palco. Em 2003, a Warner lançou o CD Salvador, 1962-1963, que contém essas mesmas gravações. Em 2010, foram relançadas em CD na coletânea Retirante. Hoje, é fácil encontrá-las na internet nas principais plataformas de streaming.Em 62, as irmãs Cynara e Cybele (que, dois anos depois, formariam o Quarteto em Cy) se uniram à cantora Ana Lúcia no conjunto As Três Baianas. No estúdio de Jorge, elas gravaram um disco de 78 RPM com a faixa “Bem Devagar”. O lançamento inaugurou o catálogo do selo JS Discos e foi o primeiro registro de uma música de autoria de Gil (que assina os créditos como GilbertoVence a música Em 63, através do produtor Roberto Santana, Gil conheceu Caetano e, logo depois, sua irmã Maria Bethânia e a amiga Gal Costa. Esse núcleo desenvolveu um vínculo de amizade e criatividade que teria uma série de repercussões históricas para a cultura brasileira, mas tudo isso começou a ser ensaiado em 64. O ano em que a Ditadura Militar se instalou no Brasil também foi quando Gil, Caetano, Bethânia, Gal e Tom Zé fizeram seu primeiro show coletivo, o Nós, por exemplo, em Salvador, que contava com a direção musical de Gil.I*2=)"123"$"?30%3":$>&$"%&0($"2/"%+$O)".2543+.&4)"'&?$=)"09)".F"$)."3'3/308 %)."3.%H%&-).@"/$."%$/5H/"$)."3'3/30%).",)H%&-)."3",)'B%&-)."123"3.%$4$/" &0.3+&=).;"L".2543+.9)"3.%$4$"0)"$+N'+,)-#.$&'+,) Moreira) e o primeiro dele tocando - no caso, o acordeom que acompanha as cantoras. A gravação original se perdeu, mas Caetano Veloso regravou essa música no álbum Prenda Minha (1998). Ainda em 62, Gil gravou outro compacto de 78 RPM com “Povo Petroleiro” e “Coça, Coça, Lacerdinha” (ambas de Everaldo Guedes), essa é a primeira gravação de Gil cantando. As três faixas citadas saíram em discos com prensagens pequenas, gravados de forma simples e que nem chegaram às lojas, eram materiais promocionais. Já em 63, o selo JS Discos lançou Gilberto Gil – Sua Música, Sua Interpretação, que traz quatro faixas de sua autoria cantadas por ele: “Serenata de Teleco-Teco”, “Maria Tristeza”, “Vontade de Amar” e “Meu Luar, Minhas Canções” (em 2015, esse disco foi relançado em vinil pelo selo Discobertas). Também em 63, saiu mais um lançamento seu, dessa vez com as faixas “Vem, Colombina”, de Silvan Castelo Neto e Jorge Santos, e “Decisão (Amor de Carnaval)”, de Gil. Ambos discos chegaram às lojas, mas não tiveram muita repercussão comercial. A música ainda não era sua profissão: de 62O plano de ser músico profissional estava se fortalecendo, mas, ao mesmo tempo, Gil não fechou as portas de um caminho profissional aparentemente mais seguro. Em dezembro de 64, formou-se em Administração e, em janeiro do ano seguinte, viajou para São Paulo para concorrer a uma vaga na multinacional Gessy Lever (que, desde 2001, chama-se Unilever). Nessa viagem, conheceu Chico Buarque, com quem iria criar uma amizade sólida. Logo, Gil voltou à Bahia, onde apresentou, em março, seu primeiro show individual, o Inventário, dirigido por Caetano. Mas Gil ainda estava dividido: em junho, aceitou o convite da Gessy Lever e se mudou para trabalhar na empresa. De dia, se preparava para assumir um cargo na direção da multinacional. De noite, vivia a cena artística paulistana. - Em São Paulo, comecei a ter contato com um pessoal do teatro através do Augusto Boal, Gianfrancesco Guarnieri... A música trazia muita gente nova pra minha23Avida. Eu estava na encruzilhada entre me tornar um profissional do campo da gestão ou me tornar um músico, que era para o que eu vinha me preparando, ao contrário do que a vida vinha encaminhando pra mim, que era trabalhar como um gerente - diz Gilberto Gil à NOIZE. Naturalmente, a música foi falando mais alto. Gil conheceu os poetas Torquato Neto e Capinan e, logo, começou a compor com eles. Em setembro, apresentou com Caetano, Bethânia, Gal, Tom Zé e Jards Macalé o espetáculo Arena Canta Bahia, dirigido por Boal. O compacto Arena Canta Bahia (1965), lançado pela RCA, trouxe quatro músicas gravadas nesse show, incluindo “Roda” e “Viramundo” (interpretada pela Bethânia), ambas de Gil. Essa versão de “Roda” também saiu em outro compacto com “Procissão” no lado B, que foi o primeiro lançamento individual de Gil em uma grande gravadora. Em outubro, ele participou do 4º Festival da Balança tocando “Iemanjá”, cujo registro sairia no LP 4° Festival Da Balança - O Maior Show Universitário do Brasil Gravado Ao Vivo (1966). Nessa mesma época, gravou uma fita demo no escritório da editora musical Arlequim. Com cerca de 30 minutos de duração, a gravação traz 18 músicas, incluindo as já lançadas “Serenata de Teleco-teco” e “Decisão” e outras, como “Retirante” e “Cantiga”, que permaneceram inéditas até 2010, quando saíram em CD na coletânea Retirante. O ano seguinte foi crucial. Em 66, Gil estava se tornando cada vez mais conhecido, até porque começou a participar do programa O Fino da Bossa, que Elis Regina e Jair Soares apresentavam na TV Record de São Paulo. Logo, foi contratado pela gravadora Philips e, na metade do ano, decidiu largar a Gessy Lever e ir morar no Rio de Janeiro. “Muitos me estimularam a fazer um trabalho com música”, diz Gil à NOIZE: - Elis, Edu Lobo, Ruy Guerra, Baden Powell... E a turma que eu já trazia comigo da Bahia, Caetano, Gal, Bethânia, Tom Zé, todo mundo com os quais tínhamos desenvolvido o que veio a se chamar de Tropicalismo. Eu estava no meio daquilo tudo! E, agora, estava livre para criar. Ainda em 66, Gil estreou ao lado de Bethânia e Vinicius de Moraes o show Pois é. No final do ano, saiu um compacto com as faixas “Minha Senhora” e “Ensaio Geral”. Meses antes, a primeira delas havia sido defendida por Gal Costa no 1º Festival Internacional da Canção, da TV Rio, e a segunda, por Elis Regina no 2º Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record.Fagulhas do sertão Em 1967, uma chave virou. Já no início do ano, Gil compôs com Capinan músicas para o filme Brasil Ano 2000, de Walter Lima Jr., e foi contratado pela TV Excelsior, de São Paulo, para ter um programa seu chamado Ensaio Geral, que durou só cinco meses.Em fevereiro, viajou com Roberto Santana e o empresário Guilherme Araújo para Pernambuco, onde passaram várias semanas. Em Recife, fez uma temporada de um mês de shows, mas não ficaram só na capital, Gil fez questão de conhecer o interior e ver de perto a arte e a dor das pessoas que moravam lá. Conheceu os maracatus, as cirandas e a Banda de Pífanos de Caruaru e aquilo abriu sua cabeça. - A característica nordestina forte que Pernambuco concentra muito bem tinha me tocado fundo no sentido de buscar ao mesmo tempo a especificidade e a diversidade da coisa brasileira. Mas eu também ouvia os Beatles, e nesse momento saía o Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, que me impressionou muito com o arrojo e o experimentalismo de George Martin. Esse disco me deu a sensação de compromisso com a idéia de transformação - explica Gil em entrevista à pesquisadora Ana de Oliveira, publicada no seu site Tropicalia.com.br. Muito impactado com as vivências em Pernambuco, Gil vislumbrou um fio conectando os pífanos de Caruaru às guitarras de Liverpool. A fibra que formaria esse fio seria a própria cultura brasileira a partir do seu poder ímpar de aglutinação espontânea de ingredientes tão diversos. Segundo Caetano conta no livro Verdade Tropical (1997), Gil voltou dessa viagem “transformado” e “querendo mudar tudo”. Em entrevista à NOIZE, o próprio Caetano explica: - Gil, sem ouvir as conversas de Bethânia, [José] Agrippino ou Rogério Duarte, foi ao Recife e, lá, ficou fascinado com a Banda de Pífanos de Caruaru, de que trouxe uma fita, e ligava isso à audição de “Strawberry Fields Forever” [dos Beatles]. O que o levava a discursar sobre a cultura de massas e a violência política sob a qual estávamos. [Gil] planejou um movimento, que envolveria todos os nossos colegas por nós mais admirados (Edu, Chico, Sérgio Ricardo, Francis Hime...) e propôs que fizéssemos algo mais violento, mais perto do rock, que usássemos guitarras elétricas, que mudássemos o estado crítico da citação de canção no Brasil. A turma não entendia. Partimos os dois sozinhos na aventura de nossa versão da contracultura - diz Caetano.24AI<2"3.%$4$"0$"308 -+2>&'($=$"30%+3" /3"%)+0$+"2/",+)8 :&..&)0$'"=)"-$/8 ,)"=$"?3.%9)")2" 2/"/P.&-)@"123" 3+$",$+$")"123"32" 4&0($"/3",+3,$8 +$0=)@"$)"-)0%+78
Related Search
We Need Your Support
Thank you for visiting our website and your interest in our free products and services. We are nonprofit website to share and download documents. To the running of this website, we need your help to support us.

Thanks to everyone for your continued support.

No, Thanks